2026 e você ainda está esperando o momento certo?
A Copa já era, a B3 batendo recorde. E aqui no trabalho, só dois colegas investem.
“Alguém está sentado na sombra hoje porque alguém plantou uma árvore há muito tempo.” Warren Buffett
1. O mundo parou um mês. E depois?
A Copa do Mundo de 2026 terminou. O Brasil respirou junto, sofreu junto, comemoramos um pouco, até que já viu né novamente caímos, dessa vez a Noruega do poderoso Haaland nos eliminou, mas o ponto é que o mundo literalmente parou por um mês inteiro para assistir a um torneio de futebol.
Depois da Copa, as pessoas voltam ao trabalho, voltam às contas, voltam à vida. E a pergunta que me persegue, que talvez ninguém esteja fazendo em voz alta, é justamente essa:
Antes de parar tudo para assistir ao futebol, quantas dessas pessoas fizeram alguma coisa pelo próprio futuro financeiro?
Não estou sendo moralista aqui. Eu assisti aos jogos também, fizemos um bolão lá aonde trabalho e fiquei em segundo lugar. Mas essa pergunta é honesta e merece uma resposta também. Mas antes até deixo o print do nosso bolão, até me deu uma graninha, não foi dessa vez que eu ganhei, mas foi muito legal.
2. O número que impressiona. E o que ele esconde.
A B3 que é a bolsa de valores brasileira, o mercado onde se compra e vende partes de empresas e fundos, como se fosse uma grande feira onde você pode ser dono de um pedacinho de quase tudo, anunciou número recorde de investidores em Fundos Imobiliários.
A B3 informou que o Brasil chegou a pouco mais de 3,18 milhões de pessoas físicas investindo em fundos imobiliários, quase o dobro dos cerca de 1,6 milhão registrados cinco anos antes.
À primeira vista, aquele número salta os olhos. Parece sinal de que o Brasil está evoluindo, que as pessoas estão tomando consciência, que algo mudou.
Mas eu fico aqui com uma pergunta que a B3 não responde:
Desses investidores todos, quantos de fato movimentam suas contas todo mês?
Em outra matéria a B3 fala em investidores com “posição em custódia”, ela está contando pessoas que possuem algum investimento registrado em seu nome.
Custódia é como uma estante digital: se existe pelo menos um livro seu naquela estante, você aparece na contagem.
Mas isso não significa que você compra um livro novo todo mês.
A pessoa pode ter comprado uma única cota de um fundo imobiliário e nunca mais ter feito nada.
Aqui volto ao início e abro uma ressalva, de fato quando eu falo que só dois colegas investem no meu serviço é porque só conheço esses dois mesmo. Adriel e Anderson meu outra xará incrível não!
Porque há uma diferença enorme entre abrir uma conta na corretora, comprar uma cota por curiosidade e esquecer a senha na semana seguinte, e de fato construir algo mês a mês, cota a cota, reinvestindo dividendo, persistindo quando o mercado cai e a vontade de vender aperta.
A conta aberta não é investimento. A conta ativa que é.
3. A fábrica e o escritório que me deram o dado mais honesto
Trabalho há dois anos ininterruptos num ambiente com 70, talvez 80 pessoas. Tem dia que é mais, tem dia que é menos. Não importa.
O que importa é o seguinte: nesse universo todo, só dois colegas começaram a investir recentemente e a pensar no assunto com alguma seriedade.
Não estou com dados científicos aqui. Não fiz pesquisa, não tenho certificação de pesquisador, não sou economista. É só o que vejo todo dia quando levanto os olhos da minha própria rotina.
E se você trabalha num ambiente parecido, faça você mesmo essa conta, olha ao redor. Conta quantas pessoas estão guardando dinheiro de forma intencional, todo mês, com algum objetivo de longo prazo em mente.
O número provavelmente não vai te deixar orgulhoso.
4. Por que as pessoas não começam?
Já conversei sobre isso de várias formas ao longo do tempo. E a resposta que aparece mais, disfarçada de mil jeitos diferentes, sempre é a mesma:
“Não é o momento certo.”
Em 2020 não era momento certo porque tinha uma pandemia. Em 2021 não era porque o mercado estava instável. Em 2022 não era porque tinha eleição. Em 2023 não era porque a Selic, que é a taxa de juros básica do Brasil, o preço que o governo cobra para emprestar dinheiro, e que puxa os rendimentos de quase tudo estava subindo. Em 2024 não era porque o custo de vida tinha aumentado. Em 2025 não era porque tinha Copa chegando. Em 2026 não é porque a Copa acabou de terminar e voltamos as eleições novamente, e assim sucessivamente.
Tem sempre um motivo, e sempre haverá um motivo ou vários. O “momento certo” é uma invenção conveniente para adiar o desconforto de começar.
O que eu aprendi, da forma mais lenta e cara possível, é que o único momento que existe de verdade é o mês em que você decide começar. Esse mês vira a linha zero da sua história.
5. Eu comecei em 2018. E deveria ter começado antes.
Sei que isso é clichê, sei que parece aquela frase que todo mundo que investe repete como se fosse sabedoria universal.
Mas é a pura verdade. E quando é verdade, pode ser clichê à vontade.
Em 2018, comecei pela renda fixa que funciona como um empréstimo que você faz para um banco ou para o governo, e eles te devolvem o dinheiro com juros numa data combinada. Previsível, seguro dentro de certos limites, e um bom começo para quem quer entender como o dinheiro funciona sem se arriscar demais logo de cara.
Em 2019, entrei na renda variável que já é outro jogo. Aqui os valores sobem e descem como maré. Você não sabe exatamente quanto vai receber e nem quando. Pode ganhar mais, pode perder parte, e precisa de estômago e paciência para ficar firme quando a maré baixa.
E olha, fiz muitas merdas. Comprei fundo e ação sem entender o que comprava. Vendi na hora errada. Deixei dinheiro parado esperando o momento certo sim, o mesmo momento certo do qual estou falando. Comparei minha carteira com gente do Instagram/Youtube como se isso fosse uma competição com alguém que nem me conhece.
Errei. Aprendi. Continuei. E cada ano que passa, olho para trás e penso: deveria ter começado bem antes.
Não porque seria rico agora. Mas porque teria mais anos de aprendizado, mais erros já cometidos, mais paciência construída.
O tempo é o ingrediente que nenhum dinheiro compra de volta.
6. Falar de dinheiro virou tabu
Tem algo que me incomoda mais do que gente que não investe. É o silêncio em volta do assunto.
As pessoas mostram viagem, mostram carro, mostram reforma na casa, mostram churrasco de fim de semana. Mas dinheiro de verdade quanto guardam, o que constroem, quanto estão devendo é assunto de sussurro, isso quando é assunto.
Ficou parecido com política, ou com religião. Você evita porque pode gerar atrito, porque parece arrogância, porque “não fica bem”.
Mas o problema é que esse silêncio tem consequências reais.
Quando ninguém fala sobre dinheiro, ninguém aprende sobre dinheiro. Quando ninguém aprende, ninguém começa. E se ninguém começa, o único professor que sobra é a vida, e essa danada cobra caro pela aula. Cobra com juros. Cobra com dívida. Cobra com o medo de perder o emprego sem ter um tostão guardado.
Eu não tenho certificação. Não tenho título. Não sou o mais inteligente da sala nem de longe. Mas tenho anos de erros reais, alguns acertos também, dinheiro real na mesa e a disposição de falar sobre isso em público sem fingir que fui perfeito no caminho.
Isso, pelo menos, eu tenho.
7. Pele em risco, sempre
Uma expressão que gosto muito e que aprendi lendo sobre mercado é “pele em risco” a famosa skin in the game, como dizem em inglês. É quando você não só fala sobre algo, mas tem algo a perder se der errado.
Eu tenho. Meu dinheiro está na carteira. Meu dinheiro está nas carteiras das minhas filhas, que abri em junho de 2026 com R$ 705,00 para cada uma.
Não escrevo sobre o que acho que deveria funcionar. Escrevo sobre o que estou fazendo de verdade, com o dinheiro real que trabalhei para ter.
Quando acertar, vou mostrar. Quando errar, e eu tenho quase certeza que isso vai acontecer, vou mostrar também.
Porque é isso que falta por aí. Não faltam promessas. Faltam relatos verdadeiros, com os tombos dentro, de alguém que está no mesmo barco que você.
8. A pergunta que deixo pra você
Não vou terminar esse texto com uma lista de passos, uma fórmula ou uma recomendação de ativo.
Vou deixar só uma pergunta.
Daqui a sete anos, quando você olhar pra trás e contar os meses que se passaram desde hoje, o que você vai querer ver?
Uma linha zero. Um começo pequeno, bagunçado, cheio de dúvida e com pouco dinheiro.
Ou mais sete anos de “ainda não era o momento certo”?