Projeto 18 Anos — carteira da Sarah

CPSH11 na carteira da Sarah, um fundo novo para uma jornada tão longa

O CPSH11 nasceu em 2023, já a carteira da Sarah foi pensada até ela completar dezoito anos. Parece uma combinação estranha até olhar para os shoppings, para a gestão e, principalmente, para o que o fundo conseguiu entregar nesse começo.

Participação na carteira: 15% Primeira compra: 15/06/2026 11 cotas iniciais Foco: renda + tempo

Quando comprei as primeiras cotas do CPSH11 para a Sarah eu não estava procurando o fundo de shopping com o gráfico mais bonito do mês. Eu estava escolhendo uma peça para uma carteira que, se tudo correr como planejado, vai continuar recebendo aportes e reinvestindo dividendos por muitos anos.

E por isso o primeiro problema da tese era óbvio: o fundo é muito novo.

Ele começou em fevereiro de 2023. Para um projeto longo como esse, três anos de histórico não provam resiliência. Eu não consigo olhar para esse período curto e dizer que o CPSH já atravessou tudo, pois ainda não atravessou.

Mas existe uma diferença importante entre o tempo de existência do fundo e a experiência da estrutura que existe por trás dele.

O CPSH11 é novo. Os shoppings que ele compra não são. E a Capitânia muito menos.

Foi essa combinação que me fez aceitar colocar 15% da carteira da Sarah aqui.

Primeiro eu quis saber quem estaria tomando decisões com o dinheiro dela

Em um fundo de gestão ativa isso importa muito mais do que parece. O CPSH11 não nasceu para comprar meia dúzia de shoppings e ficar vinte anos olhando para eles. O regulamento permite comprar, vender, aumentar participação, reduzir exposição e reciclar patrimônio.

Então eu preciso confiar menos numa fotografia do portfólio e mais na capacidade da gestão de continuar tomando decisões razoáveis.

Para não misturar métricas, eu revisei esse ponto usando uma única base: a planilha da ANBIMA de junho de 2026. Nela, a Capitânia aparece com R$ 12,49 bilhões em FIIs e R$ 21,52 bilhões no total da casa. Ou seja, o número de FIIs é um pedaço do total, não um valor concorrente com ele.

Quando ordenamos apenas o patrimônio em FIIs, a Capitânia aparece na 6ª posição naquele recorte de junho. Em português simples: estamos falando de uma das seis maiores gestoras de FIIs do Brasil por patrimônio sob gestão naquela fotografia da ANBIMA.

Ranking ANBIMA de gestores de FIIs em junho de 2026, com a Capitânia na sexta posição
Usei aqui só o patrimônio em FIIs. Isso evita a confusão entre “quanto a casa administra no total” e “quanto ela administra especificamente em fundos imobiliários”.

Isso não prova que a gestão vai acertar o próximo shopping. Tamanho nunca foi sinônimo automático de competência.

O que esse número muda para mim é outra coisa: eu não estou colocando 15% da carteira da Sarah nas mãos de uma equipe improvisada que apareceu junto com o fundo em 2023. Existe uma estrutura anterior ao CPSH11, com escala, histórico e capacidade de tocar uma carteira grande de FIIs.

FIIs sob gestãoR$ 12,49 biValor da Capitânia em FIIs no ranking ANBIMA de jun/26.
Total do CPSHR$ 1,425 biConsiderando o patrimônio segundo relatório maio/2026.
Posição no ranking FII6º lugarQuando ordenamos apenas a coluna de FIIs.

Depois eu quis enxergar o que exatamente uma cota compra

Essa é uma forma de tirar o fundo do abstrato. Em vez de olhar só para o ticker, eu prefiro imaginar uma nota de R$ 100 sendo espalhada entre os shoppings.

Para fazer isso usei o NOI que é o resultado operacional do shopping, grosso modo, o que o imóvel gera depois de pagar as contas da própria operação. O quadro abaixo transforma essa composição numa nota de R$ 100,00. É bem mais fácil de enxergar assim.

Quadro didático mostrando a cada 100 reais investidos no CPSH11 quanto está alocado em cada shopping do fundo
Base principal: composição por NOI de maio/2026, ajustada proporcionalmente para incluir a entrada projetada do Shopping Curitiba. Os valores foram arredondados para fechar uma nota de R$ 100 e facilitar a visualização.

Traduzindo em português bem simples: a maior parte do dinheiro ainda está concentrada em poucos ativos, especialmente Midway Mall, Parque Shopping Dom Pedro e Iguatemi Alphaville. Isso não me incomoda sozinho. O que eu quero é saber se esses ativos são bons o bastante para justificar essa concentração.

E aqui entra o que vi no relatório: ocupação média alta, vendas por metro quadrado crescendo e NOI também avançando. Eu aceito concentração quando ela está apontada para ativos que parecem maduros e produtivos.

O gráfico de rentabilidade foi uma das coisas que mais chamou minha atenção

Três anos ainda são pouco. Eu vou repetir isso porque é importante não transformar um começo bom numa garantia.

Mas começo bom também não precisa ser ignorado.

No gráfico da própria gestora, de fevereiro de 2023 até maio de 2026, a cota de mercado do CPSH11 acumulava 58,6%. No mesmo intervalo, o CDI acumulava 47,6% e o IFIX 38,3%.

Você também vai ver no gráfico a expressão cota patrimonial. É simplesmente o patrimônio líquido do fundo dividido pela quantidade de cotas. Não é o preço que aparece na Bolsa. No gráfico, a gestora ajusta essa cota patrimonial pelos rendimentos já distribuídos para permitir uma comparação mais justa da evolução do patrimônio.

CPSH11 a mercado15,3% a.a.Rentabilidade anualizada desde fev/23 até mai/26.
IFIX no período10,5% a.a.Referência anualizada apresentada pela gestora.
Retorno acumulado58,6%CPSH11 a mercado desde o início até mai/26.
Gráfico oficial da Capitânia comparando CPSH11, cota patrimonial, CDI, IFIX e IMA-B desde fevereiro de 2023 até maio de 2026
Fonte: Capitânia, Relatório Mensal de Maio de 2026. O gráfico considera retorno total, incluindo distribuições. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.

Para mim existe um detalhe especialmente interessante aqui: esse desempenho aconteceu enquanto o CDI estava alto.

Ou seja, o fundo não precisou de uma grande queda dos juros para construir retorno. A cota oscilou bastante no caminho, mas o resultado acumulado terminou acima tanto do IFIX quanto do CDI naquela data-base.

Eu não comprei porque “bateu o CDI”. Comprei porque, num teste inicial difícil, ele mostrou que conseguia gerar renda e criar retorno mesmo competindo com uma renda fixa muito forte.

Mas a Sarah não vai viver de gráfico. Ela vai receber dividendos

É aqui que a tese fica mais parecida com o motivo real de eu montar essas carteiras.

Eu quero que o dinheiro comece pequeno, receba renda, reinvista essa renda e vá comprando novas cotas enquanto ela cresce.

Então reconstruí o histórico de dividendos do CPSH11 desde o começo usando os dados da própria Capitânia. Antes de março de 2024 a cota estava numa base dez vezes maior, para não parecer que o fundo pagava R$ 1 quando hoje paga R$ 0,11, normalizei os valores antigos para a base atual.

Histórico mensal de dividendos do CPSH11 desde junho de 2023 até junho de 2026, normalizado para a base atual da cota
Fonte: Capitânia. Valores anteriores a março de 2024 ajustados para a atual base de cota. A leitura correta é pela trajetória da renda, não pela comparação nominal entre bases diferentes.

O desenho é bem simples de enxergar.

Depois da fase inicial, o fundo passou grande parte de 2024 e 2025 pagando algo em torno de R$ 0,095 a R$ 0,10 por cota. No fim de 2025 houve pagamentos de R$ 0,12 e R$ 0,15, e desde dezembro de 2025 a distribuição de referência voltou e permaneceu em R$ 0,11 por cota até junho de 2026.

E quanto isso representa de verdade? Na cotação consultada em 7 de agosto de 2026, perto de R$ 9,72, um rendimento de R$ 0,11 equivale a aproximadamente 1,13% no mês. Se esse mesmo valor fosse mantido durante doze meses, daria algo próximo de 13,6% ao ano, numa conta simples e sem reinvestir os rendimentos. O dividend yield dos últimos 12 meses naquele momento estava em torno de 13,76%.

Agora vem a parte que eu considero mais importante do que o próprio dividendo.

Em maio, o resultado do mês foi de R$ 0,095 por cota, enquanto a distribuição ficou em R$ 0,11. O pagamento foi possível porque havia resultado acumulado e porque a estratégia ativa também produziu ganhos de capital.

Eu não vejo isso como um defeito automático. O objetivo declarado do fundo inclui ganhar dinheiro comprando e vendendo participações. Se uma gestão compra bem e vende melhor, esse lucro pertence ao cotista tanto quanto o aluguel.

Só não quero contar para mim mesmo que R$ 0,11 inteiro é aluguel recorrente quando não é.

O que eu quero observar daqui para frente

Eu quero ver o resultado recorrente se aproximando cada vez mais da distribuição. Se o fundo conseguir manter R$ 0,11 com mais NOI vindo dos shoppings e menos necessidade de usar resultado acumulado, a qualidade dessa renda melhora.

Então por que ele merece 15% da carteira da Sarah?

Não porque tenha três anos de histórico.

Não porque esteja pagando R$ 0,11 agora.

E muito menos porque o gráfico terminou acima do CDI.

Eu coloquei o CPSH11 como uma posição estrutural de 15% porque queria que uma parte relevante da carteira da Sarah estivesse ligada ao consumo real das pessoas, a imóveis físicos e a uma gestão que tenha liberdade para trocar os ativos quando encontrar coisa melhor.

Quando eu junto os pontos, é isso que vejo:

uma gestora com escala real em FIIs; um fundo jovem, mas já relevante; shoppings maduros; ocupação alta; vendas e NOI crescendo; renda mensal relativamente estável; e um histórico inicial de retorno que foi competitivo até contra um CDI alto.

Isso é suficiente para eu começar.

Não é suficiente para eu parar de acompanhar.

Os 15% não são uma medalha que o CPSH11 ganhou para sempre. São o espaço que eu decidi dar a ele para trabalhar pela Sarah a partir de agora.

O que pode me fazer diminuir ou sair dessa posição

Eu estou comprando gestão ativa, então o principal risco também é a gestão

Não preciso inventar vinte motivos para sair. Hoje eu acompanharia principalmente quatro sinais:

  • compras começando a priorizar quantidade em vez de qualidade;
  • dívida crescendo sem o resultado operacional dos shoppings acompanhar;
  • vendas e ocupação se deteriorando de forma persistente;
  • o dividendo permanecendo em R$ 0,11 enquanto o resultado recorrente fica para trás por tempo demais.

Se esses sinais aparecerem juntos ou começarem a virar padrão, “longo prazo” não vai servir como desculpa para manter a posição.

Quer acompanhar a carteira da Sarah daqui para frente?

Esta tese registra o motivo da entrada do CPSH11. O resto da história vai acontecer mês a mês: novos aportes, dividendos recebidos, reinvestimentos e qualquer mudança de ideia que os números me obriguem a fazer.

Acompanhe o Projeto 18 Anos e as carteiras da Sarah e da Maya →

Fontes

ANBIMA – Ranking de Gestão de Fundos de Investimento, junho de 2026

Página oficial do CPSH11 – Capitânia

Relatório Mensal do CPSH11 – maio de 2026

Histórico oficial de dividendos do CPSH11 – Capitânia

Fato Relevante – aquisição do Shopping Curitiba – julho de 2026

Investidor10 – cotação e dividend yield consultados em 07/08/2026

No ponto da gestora, deixei explícita a diferença entre patrimônio em FIIs e patrimônio total da casa para não misturar duas grandezas diferentes.
Este artigo documenta o racional do Projeto 18 Anos e não constitui recomendação de investimento.

Dinheiro, família e futuro

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