Carteira da Sarah: tese inicial dos sete fundos | Caderno do Pai

breve introdução · sete fundos · HORIZONTE DE LONGO PRAZO

Sete fundos, uma tarefa: construir renda para a Sarah

Por que cada FII entrou na carteira, qual função ele cumpre e quais acontecimentos realmente exigiriam rever a tese.

Início: 15/06/2026 Capital inicial: R$ 705,00 7 fundos imobiliários Aportes + reinvestimento

A ideia antes dos números

Uma carteira não é uma lista de tickers

A Carteira da Sarah começou pequena de propósito. O valor inicial não foi escolhido para impressionar, mas para transformar uma intenção em compromisso. Cada cota comprada representa dinheiro real separado para um objetivo que ainda está muitos anos à frente.

A função deste texto não é reagir ao relatório gerencial do mês. Relatórios mensais servem para acompanhar execução, renda, crédito, vacância e decisões da gestão. A tese inicial é outra coisa: ela explica por que o fundo existe dentro da carteira e quais fatos seriam graves o bastante para mudar essa decisão.

O desenho combina quatro fundos mais ligados a imóveis físicos e três fundos com exposição relevante a crédito imobiliário. Assim, a renda não depende de uma única engrenagem. Aluguéis, operação de shoppings, galpões, varejo de rua, CRIs indexados ao IPCA e ao CDI trabalham de maneiras diferentes.

Posição inicial da Carteira da Sarah na corretora, com sete fundos imobiliários comprados em 15 de junho de 2026
Posição inicial em 15/06/2026, o print soma R$ 698,32 em compras.

Como a renda foi distribuída

Diferentes motores para o mesmo objetivo

04

Fundos com imóveis

ALZR11, CPSH11, GGRC11 e RBVA11 dependem da qualidade dos ativos, dos contratos, dos inquilinos e da capacidade de manter os imóveis produtivos.

03

Fundos de crédito e multiestratégia

BTCI11, KNSC11 e MCRE11 dependem principalmente da qualidade das operações, das garantias, da disciplina de crédito e da sustentabilidade da distribuição.

18 anos

Até ela completar

O horizonte longo permite atravessar ciclos, mas não justifica tolerar deterioração estrutural. Paciência não é abandono.

Tijolo · Renda urbana e contratos longos

ALZR11

Imóveis corporativos, logísticos, educacionais, de saúde e varejo alugados principalmente por contratos de longo prazo.

Entrada inicial11 cotasR$ 112,09 aplicados

O que o fundo faz

O ALZR11 funciona como um proprietário profissional de imóveis usados por empresas. A estratégia prioriza contratos atípicos, como built-to-suit e sale and leaseback. Em português simples, são acordos desenhados para uma operação específica e que costumam ter prazos maiores e multas mais fortes. No relatório de junho de 2026, o fundo apresentava 26 ativos, 20 locatários e prazo médio contratual de 9,5 anos.

Por que entrou na carteira

  1. Previsibilidade: contratos longos ajudam a reduzir mudanças bruscas de receita.
  2. Diversificação: diferentes setores e locatários diminuem a dependência de um único imóvel.
  3. Proteção de longo prazo: reajustes contratuais e ativos reais podem ajudar a preservar renda diante da inflação.

O que pode exigir revisão

  1. Aumento relevante e persistente de concentração em poucos locatários ou setores.
  2. Renegociações em série com queda estrutural de aluguel, prazo ou qualidade contratual.
  3. Expansão acelerada com aquisições fracas, alavancagem excessiva ou perda de disciplina da gestão.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2019–2025
R$ 0,72
2019
R$ 0,66
2020
R$ 0,74
2021
R$ 1,42
2022
R$ 0,96
2023
R$ 0,91
2024
R$ 0,97
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 e o ano de estreia incompleto foram excluídos.

Base principal: Relatório Gerencial ALZR11, junho de 2026.

Tijolo · Shopping centers

CPSH11

Participações em shoppings e outlets que geram renda por aluguéis, estacionamento, mídia e desempenho das lojas.

Entrada inicial11 cotasR$ 110,11 aplicados

O que o fundo faz

O CPSH11 compra participações em centros de compras. É diferente de receber um aluguel fixo de uma única empresa, porque a renda nasce do conjunto de lojistas e da força operacional de cada shopping. No relatório de maio de 2026, o portfólio tinha sete exposições, ocupação média próxima de 97% e ativos como Midway Mall, Parque Dom Pedro, Iguatemi Alphaville e I Fashion Outlet.

Por que entrou na carteira

  1. Renda ligada à economia real: vendas, fluxo e aluguel variável podem crescer junto com bons ativos.
  2. Portfólio relevante: a carteira reúne shoppings conhecidos e diferentes praças.
  3. Gestão ativa: compras, vendas e aumento de participações podem criar valor além do aluguel mensal.

O que pode exigir revisão

  1. Queda prolongada de vendas, NOI e ocupação em vários ativos ao mesmo tempo.
  2. Endividamento crescente para financiar aquisições sem melhora proporcional do resultado.
  3. Dependência recorrente de reservas ou ganhos não recorrentes para sustentar dividendos.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2024–2025
R$ 1,22
2024
R$ 1,27
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 e o ano de estreia incompleto foram excluídos.

Base principal: Relatório Mensal CPSH11, maio de 2026.

Papel · Crédito imobiliário

BTCI11

Uma carteira de CRIs ligada principalmente aos segmentos residencial, logístico e comercial.

Entrada inicial11 cotasR$ 101,86 aplicados

O que o fundo faz

Em vez de ser dono direto dos imóveis, o BTCI11 financia operações imobiliárias por meio de CRIs. É parecido com emprestar dinheiro para projetos e empresas do setor, recebendo juros e correção monetária. O relatório de junho de 2026 mostrava 96% do patrimônio alocado em 32 operações, com foco no Sudeste e distribuição de R$ 0,105 por cota.

Por que entrou na carteira

  1. Renda desde o começo: juros dos CRIs ajudam a formar o fluxo mensal da carteira.
  2. Diversificação por operações: dezenas de créditos evitam que um único projeto determine todo o resultado.
  3. Exposição a IPCA e juros: o fundo pode capturar remuneração real em diferentes ambientes econômicos.

O que pode exigir revisão

  1. Inadimplência relevante, renegociações repetidas ou deterioração das garantias.
  2. Concentração crescente em emissores, devedores ou estruturas de difícil compreensão.
  3. Dividendos altos mantidos pela tomada de risco crescente, e não pelo resultado recorrente.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2022–2025
R$ 1,34
2022
R$ 1,23
2023
R$ 1,11
2024
R$ 1,16
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 foi excluído por ainda estar incompleto.

Base principal: Relatório Mensal BTCI11, junho de 2026.

Papel · CRIs indexados ao IPCA e CDI

KNSC11

Crédito imobiliário diversificado com uma combinação de proteção inflacionária e renda pós-fixada.

Entrada inicial11 cotasR$ 100,21 aplicados

O que o fundo faz

O KNSC11 compra CRIs de diferentes setores e mistura operações atreladas à inflação com operações remuneradas pelo CDI. Em junho de 2026, 65,3% do patrimônio estava em CRIs de inflação, com taxa média marcada a mercado de IPCA + 11,01% ao ano, e 37,3% em CRIs de CDI + 3,19%. O fundo também mantinha reserva de resultado não distribuído.

Por que entrou na carteira

  1. Dois indexadores: IPCA e CDI equilibram a geração de renda em cenários diferentes.
  2. Processo de crédito: a gestão detalha garantias, subordinação, LTV e acompanhamento das operações.
  3. Escala e liquidez: patrimônio amplo e negociação diária facilitam o acompanhamento e a execução.

O que pode exigir revisão

  1. Aumento da alavancagem financeira sem justificativa clara ou sem cobertura de caixa.
  2. Eventos de crédito relevantes que revelem falhas recorrentes de análise e monitoramento.
  3. Mudança de mandato que leve o fundo a buscar retornos maiores com garantias progressivamente piores.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2021–2025
R$ 1,37
2021
R$ 1,13
2022
R$ 1,02
2023
R$ 1,03
2024
R$ 1,15
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 e o ano de estreia incompleto foram excluídos.

Base principal: Relatório Mensal KNSC11, junho de 2026.

Multiestratégia · Crédito, FIIs e imóveis

MCRE11

Um fundo que combina renda recorrente de crédito com ativos estruturados e oportunidades de ganho de capital.

Entrada inicial11 cotasR$ 101,53 aplicados

O que o fundo faz

O MCRE11 não depende de uma única classe de ativo. Em maio de 2026, a composição apresentada pela gestão reunia 45% em crédito, 44% entre imóveis e FIIs estruturados, 6% em FIIs líquidos e 5% em caixa. Parte da renda chega mensalmente pelos CRIs. Outra parte depende de venda, maturação ou monetização futura de ativos estruturados.

Por que entrou na carteira

  1. Múltiplas fontes de resultado: carrego, dividendos e ganho de capital podem se complementar.
  2. Renda indexada: a carteira de crédito tinha exposição relevante a IPCA e CDI.
  3. Flexibilidade: a gestão pode realocar recursos entre crédito, imóveis e fundos conforme as oportunidades.

O que pode exigir revisão

  1. Uso prolongado de reservas para distribuir mais do que o fundo gera de forma recorrente.
  2. Atraso ou frustração repetida nos eventos de liquidez prometidos para ativos estruturados.
  3. Complexidade crescente que impeça entender de onde vem o resultado e quais riscos estão sendo assumidos.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2022–2025
R$ 1,85
2022
R$ 1,63
2023
R$ 1,29
2024
R$ 1,31
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 foi excluído por ainda estar incompleto.

Base principal: Relatório Mensal MCRE11, junho de 2026.

Tijolo · Logística e indústria

GGRC11

Galpões e imóveis industriais alugados a empresas, com gestão ativa de aquisições, vendas e reciclagem do portfólio.

Entrada inicial10 cotasR$ 100,20 aplicados

O que o fundo faz

O GGRC11 compra imóveis logísticos e industriais, muitas vezes por contratos atípicos, e busca gerar renda com aluguel e ganho de capital em vendas. Em junho de 2026, o relatório apresentava 42 ativos imobiliários, mais de 1 milhão de metros quadrados de área locável, 49 inquilinos e prazo médio dos contratos de 4,47 anos. O fundo também se destacava pela liquidez elevada.

Por que entrou na carteira

  1. Escala: muitos ativos e inquilinos reduzem a dependência de um único imóvel.
  2. Exposição logística: galpões sustentam cadeias de distribuição, produção e consumo.
  3. Reciclagem de portfólio: vender ativos maduros pode liberar capital e realizar ganhos.

O que pode exigir revisão

  1. Concentração de receita em poucos grandes inquilinos ou deterioração de crédito desses locatários.
  2. Emissões e aquisições em ritmo superior à capacidade de integrar e rentabilizar os ativos.
  3. Vacância, revisões negativas ou vendas que reduzam a renda recorrente de forma duradoura.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2018–2025
R$ 1,00
2018
R$ 0,83
2019
R$ 0,85
2020
R$ 0,92
2021
R$ 1,11
2022
R$ 1,20
2023
R$ 1,11
2024
R$ 1,21
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 e o ano de estreia incompleto foram excluídos.

Base principal: Relatório de Gestão GGRC11, junho de 2026.

Tijolo · Varejo de rua

RBVA11

Imóveis de varejo espalhados pelo país, com estratégia de adaptação, novas locações e venda oportunística.

Entrada inicial8 cotasR$ 72,32 aplicados · peso menor

O que o fundo faz

O RBVA11 é dono de imóveis usados por operações de varejo e serviços. Uma parte importante da tese está na capacidade de adaptar antigos imóveis bancários para novos usos, como supermercados, academias, farmácias, escritórios e self storage. Em junho de 2026, o fundo informava 74 imóveis, 28 inquilinos, vacância física de 6,9% e prazo médio contratual de 6,5 anos.

Por que entrou na carteira

  1. Diversificação diferente: varejo de rua não se comporta igual a shopping ou galpão.
  2. Ativos adaptáveis: bons endereços podem receber novos usos quando um locatário sai.
  3. Gestão ativa: locações, reformas e vendas podem recuperar imóveis antes improdutivos.

O que pode exigir revisão

  1. Vacância alta e persistente, com dificuldade real de reposicionar antigos imóveis.
  2. Distribuições sustentadas principalmente por vendas, reservas ou resultados extraordinários.
  3. Alavancagem crescente enquanto a renda recorrente e a ocupação não acompanham.

Histórico de renda

Rendimentos anuais por cota

Quanto uma cota distribuiu em cada ano-calendário completo.

2016–2025
R$ 1,02
2016
R$ 1,01
2017
R$ 0,84
2018
R$ 1,10
2019
R$ 1,09
2020
R$ 1,13
2021
R$ 1,20
2022
R$ 1,20
2023
R$ 1,18
2024
R$ 1,08
2025
Dados: Investidor 10. Totais arredondados a centavos; 2026 foi excluído por ainda estar incompleto.

Base principal: Relatório Gerencial RBVA11, junho de 2026.

A regra para não virar refém do mês

O que realmente justificaria rever uma tese

01

Quebra de renda

Não uma oscilação pontual, mas deterioração persistente da capacidade de gerar caixa.

02

Quebra de qualidade

Crédito pior, imóveis menos competitivos, contratos frágeis ou garantias que deixam de proteger.

03

Quebra de governança

Falta de transparência, conflito de interesse, mudanças de estratégia ou decisões que priorizem crescimento sem retorno.

04

Quebra de função

O fundo deixa de cumprir o papel que justificou sua presença dentro da carteira da Sarah.

Conclusão inicial

Esta é uma tese aberta, não uma promessa fechada

A Carteira da Sarah começou com fundos que trabalham por caminhos diferentes. Alguns recebem aluguéis, outros recebem juros. Um shopping precisa de lojas vendendo. Um galpão precisa de boa localização, contrato e inquilino. Um CRI precisa de devedor, garantia e cobrança bem estruturada. Nenhum deles é automático.

O compromisso de longo prazo não é manter os mesmos fundos por orgulho. É manter um processo, aportar, reinvestir, ler, comparar o que aconteceu com o que era esperado e só mudar quando o fato for maior do que o ruído. A carteira foi criada para ensinar tempo, mas também precisa ensinar responsabilidade.

Dos sete fundos escolhidos, sei que nem todos irão performar como quero, mas foram escolhidos pensando desde a diversificação de setores, assim como gestoras diferentes. Temos alianza, capitânia, btg, kinea, zagros, mauá e rio bravo, tudo bem pensado desde o inicio.

Não sei quais destes fundos estarão aqui no fim do projeto, mas sei por que cada um começou.

Documentos usados nesta tese inicial

Relatórios gerenciais dos fundos com bases entre maio e junho de 2026, histórico anual de rendimentos do site Investidor 10, consultado em 28/07/2026, e o print da posição inicial feita também no site.

Caderno do PaiDinheiro, família e futuro.

Projeto 18 Anos · Carteira da Sarah · Tese inicial

Dinheiro, família e futuro

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