Eu quero muito que você ABRA e APAREÇA aqui também 😉

Antes de começar, gostaria de deixar registrado aqui duas pessoas que provavelmente poucos conheceram de verdade.
Meu querido e amado pai, Marcos.
Embora, para mim, ele sempre vá ser apenas “pai”.
Seria clichê dizer que nem todo herói usa capa, então prefiro deixar apenas este pequeno espaço em sua homenagem.
A outra pessoa é minha amada avó, Zuleide.
Carinhosamente apelidada de Dona Zu… ou simplesmente Zuzu.
Foi ela quem moldou grande parte da minha infância no sítio.
Memórias que carrego comigo até hoje como pequenas relíquias silenciosas.
E sinceramente… que privilégio foi ter vivido isso. Ter tido essas duas pessoas na minha vida talvez explique muita coisa sobre quem me tornei.
Então deixo este primeiro trecho dedicado a vocês.
Porque, se algum dia eu aparecer mais… ou me tornar alguém melhor…
é porque antes existiram pessoas maravilhosas que cuidaram de mim.
Mesmo não estando mais aqui neste mundo, vocês continuam sendo as pessoas em quem mais penso com orgulho e emoção.
Não quero me alongar muito.
Só queria que vocês existissem neste texto também.
Meus textos ainda são criados de forma meio amadora. E tudo bem.
Não tenho formação em filosofia, psicologia ou qualquer outra área que admiro dentro do universo das humanas. Mas sempre fui um entusiasta dessas questões.
Talvez porque algumas pessoas estudem o comportamento humano…
e outras apenas tentem sobreviver a ele.
A vitrine humana
Você já reparou como as pessoas parecem sedentas por atenção?
Tem gente que posta o pôr do sol.
O café.
O carro.
O cachorro.
A tristeza.
Poucos mostram a realidade… uma pia cheia de louça esperando para ser lavada às dez da noite.
E existem aqueles que transformam qualquer acontecimento numa coletiva oficial do Ancelotti convocando a seleção para a Copa do Mundo.
Um simples pneu furado vira um ato filosófico de gratidão ao prego na estrada.
Mas, no fundo, talvez o objetivo nem seja o pneu.
Talvez seja lembrar discretamente (só que não) que possui um puta de um carro capaz de despertar inveja neste que vos escreve 😉
E sinceramente?
Está tudo bem.
Talvez a maior obsessão da nossa geração não seja apenas dinheiro.
Embora eu ainda ache difícil desacreditar disso.
Mas existe outra moeda circulando por aí:
A visibilidade.
E junto dela…
o poder de ser visto.
Ei psiu, estou aqui
A necessidade de sermos vistos e lembrados talvez seja uma das coisas mais humanas que existem.
Não basta apenas estar diante daqueles que amamos.
Parece que existe sempre uma fome silenciosa por aprovação.
Uma necessidade contínua de sermos percebidos.
De preferência no centro das atenções. (Me dizem que isso acontece porque sou leonino.)
Não acredito muito… mas também não desacredito completamente dessas paradas de signo, astros e alinhamentos cósmicos. (Peço perdão aos estudiosos do tema).
É apenas a opinião completamente zero fundamentada de um pai de meia-idade tentando entender a própria espécie.
Mas falando sério…
Por que sentimos essa necessidade quase bizarra de sermos vistos pelos outros?
Por que abrimos o celular esperando mais seguidores?
Mais curtidas?
Mais algum sinal de que existimos?
(Assinantes aqui é tudo grátis, inclusive. Me ajuda aí, vai. 😅)
No fundo, talvez estejamos tentando responder uma pergunta muito antiga:
“Eu importo para alguém?”
E talvez seja por isso que buscamos reconhecimento até de desconhecidos.
Ego.
Vaidade.
Carência.
Medo da solidão.
Desejo de aprovação.
Acho que todos esses ingredientes convivem dentro da gente como pequenos temperos emocionais.
Mas a verdade é que queremos ser vistos e reconhecidos.
Não apenas por quem convive conosco…mas por uma multidão inteira.
Porque, convenhamos…
Quem nunca sonhou em ter uma banda e tocar para multidões?
Quem nunca imaginou filas de dobrar quarteirões de gente esperando alguns segundos para ao seu lado tirar uma foto ou um autógrafo?
Quem nunca quis, nem que fosse por um instante, sentir que sua existência causou algum impacto no mundo?
Somos péssimos atores
Antes de mais nada, olha eu aqui novamente correndo o risco de ser xingado, ou apenas mal interpretado.
E antes que alguém se ofenda, peço desculpas aos verdadeiros atores.
Não os de Oscar ou televisão.
Falo dos atores de teatro mesmo.
Porque eu nunca fui em um deles.
Mas o ponto é outro.
Hoje parece que muita gente transformou a própria vida em palco.
Academias viraram cenários.
Restaurantes viraram vitrines.
Viagens para curtir parecem episódios cuidadosamente dirigidos.
Tem gente usando livro como decoração intelectual.
Outros transformam até a própria espiritualidade numa performance extremamente calculada.
E tudo precisa virar foto, ou vídeo, ou stories.
Legenda reflexiva acompanhada de uma música baixa e um pôr do sol estrategicamente editado.
E talvez aquilo até seja verdadeiro em alguma medida.
Mas a atuação meu amigo… a atuação quase sempre deixa a desejar.
Porque eu tenho a impressão de que muita gente já nem se pergunta mais:
“Eu realmente gosto disso?”
A pergunta agora parece ser:
“Como isso vai parecer para minha plateia?”
E talvez esse seja o ponto mais estranho da nossa geração:
É que não estamos apenas vivendo.
Estamos constantemente ensaiando versões de nós mesmos.
(Mas como minha plateia é extremamente refinada e intelectualmente nada duvidosa, não me preocupo muito com a aparência deste texto. Ele já nasceu ridiculamente incrível de tão ridículo. 🙂)
O algoritmo nos conhece melhor do que ninguém
Eu busco validação e aprovação todos os dias.
Aqui.
No trabalho.
Em casa.
Na verdade, em qualquer lugar.
E sinceramente?
Não tenho vergonha nenhuma de admitir isso.
Quero ser visto.
Bem lembrado.
Reconhecido de alguma forma.
Mas e o algoritmo, hein?
Esse danado de uma figa (gíria de geração já mais velha eu sei) ele te conhece muito bem.
Ele entende que a cada curtida, comentário ou compartilhamento liberamos muita dopamina.
E talvez o mais assustador seja isso:
Por que ele entrega nossos pensamentos para pessoas completamente fora do nosso convívio, fora da nossa bolha?
Como ele sabe exatamente qual frase, foto ou opinião tem potencial para atrair atenção?
Como ele entende tão bem nossa necessidade de sermos percebidos?
Porque, no fundo, não queremos apenas aparecer por aparecer.
Queremos reação.
Curtidas.
Comentários.
Discussões às vezes também.
Qualquer coisa que prove que alguém nos viu do outro lado da tela.
É o puro suco do engajamento social.
A virada a nosso favor
Na real, ninguém gosta de ser criticado.
E talvez nem sempre as pessoas queiram aparecer, talvez estejam apenas implorando para serem notadas.
Controverso, não?
Porque existe uma diferença enorme entre querer aparecer e desejar ser visto. Você pode entrar numa festa lotada e ainda assim passar despercebido.
Mas implorar para ser notado…principalmente por quem importa…é outra coisa.
A verdade é que hoje todo mundo publica tudo.
Todo mundo mostra alguma coisa.
Todo mundo tenta sinalizar que existe.
E às vezes eu penso: Será que estamos todos ficando tão carentes?
Ou pior: Será que eu também faço isso?
Pra finalizar, talvez o problema não seja o exibicionismo, e sim passar despercebidos como se fôssemos invisíveis…
Porque quando uma pessoa acredita que só existe enquanto é observada… ela começa a esquecer quem ela é realmente quando está sozinha.
Mas isso fica para uma próxima parte quem sabe a Parte 2.